Discurso Colação de Grau Turma Medicina FMJ 20091 Cultivando um Sonho e Vivendo uma realidade Patrono Prof. Roberio Motta
Para todos nós este é um grande momento. Agradeço, de coração, a escolha de vocês em ser o Patrono, o protetor, em ser o apoio desta brilhante turma. Mas, tenho a absoluta convicção que sou apenas um representante do corpo docente desta instituição a qual tenho um carinho especial.
De um sonho de poucos, abraçado por muitos, nasceu esta escola. Hoje, temos a honra de formar mais uma turma de médicos.
E assim, já somam mais de 300 médicos formados, sendo que 52% destes já concluíram ou estão em conclusão o seu programa de residência médica.
Além do papel importante de formação de médicos, a criação da instituição FMJ serve de esteio para muitos outros projetos, não só no ensino, na pesquisa e extensão, mas, como importante ferramenta de melhoria da saúde e do desenvolvimento econômico de Juazeiro do Norte e de toda a nossa região.
Muitos de vocês chegaram de muito longe, de alma aberta e com o coração cantando foram se juntando nesta escola. E, assim, ao cultivarem seus sonhos e de seus pais, vivem a realidade da missão cumprida, da concretização de ser médico.
Hoje, após a longa caminhada de seis anos juntos, partem com destinos diferentes, mas, uma só missão, a missão de ajudar ao próximo, a missão de ser médico.
Quero aqui, registrar com carinho, uma passagem de minha vida. Há algum tempo, ainda como acadêmico de Medicina, acompanhava o Prof. Francisco Monteiro de Castro Júnior pelos corredores da secular Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. Hoje, neste sublime momento, momento de re-encontro e de despedidas, tenho a grata satisfação de revê-lo, no dia da formatura de sua filha - Dra. Luciana Campos Monteiro de Castro.
Aproveito, para estender todo o meu apreço e parabéns a todos os pais.
Felizes são os pais que conseguem formar um filho médico!
Neste momento, registro a minha gratidão e carinho a todos da comissão de formatura e a toda turma de Medicina “Cultivando um sonho e Vivendo uma realidade”.
Caros formandos. A Medicina está perdendo sua maior esmeralda, sem maior bem, a compaixão, o humanismo.
Quero aqui citar Charles Chaplin:
Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido.
Meus jovens médicos, o que podemos fazer para o resgate do humanismo?
Busquem e encontrem essa resposta no desejo de vida de um ancião, no sofrimento de uma pobre mãe, no triste sorriso de uma criança doente.
A arte médica é única! É sublime! Um verdadeiro sacerdócio. Um desafio diário de aprendizado mútuo entre o médico, o cotidiano e o paciente. Ao abraçarem esta vocação – o chamamento de ser médico, lembrem-se que: A sabedoria pode ser buscada nos outros, mas a prudência, esta devemos buscá-la dentro de nós mesmos.
E ao se sentirem angustiados pelo árduo, mas apaixonante cotidiano da nobre arte médica, lembrem-se desse belo momento e do juramento que farão hoje. Carreguem sempre consigo a ética e o bom senso – estas indispensáveis ferramentas não só fazem parte do currículo de um bom médico, mas tem a capacidade de transformá-los em um médico bom.
Talvez, muitos de vocês, em um breve futuro, só possam ser encontrados dentro de nós mesmos. A distância, suas caminhadas, novas etapas a serem vencidas vão distanciando vocês de todos nós. Fica a doce saudade.
Mas, lembrem-se sempre com carinho desta escola, não só em suas novas vitórias, mas também em momentos de desafios. Olhem para trás, lembrem-se dos ensinamentos desta instituição, do humanismo, do médico que buscamos em cada um de nós.
Gravem na memória de seus corações este lindo e singular momento de suas vidas. Reflitam sobre o longo caminho que percorreram. Pois, sempre há de haver estímulo quando refletimos sobre as batalhas vencidas.
Estimulando uma reflexão conjunta, peço a permissão para lembrar o escritor gaúcho Mario Quintana (1906-1994) em seu marcante poema intitulado DEFICIÊNCIAS:
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
Pois está sempre apressado para o trabalho
e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem enxergar a grandeza de Deus.
"A amizade é um amor que nunca morre."
Meus Amigos,
Caros Jovens Médicos,
Busquem seus sonhos!!!
Sejam felizes!!!
Muito Obrigado!!!
(Discurso do Patrono Prof. Roberio Motta proferido durante cerimônia de Colação de Grau da Turma de Medicina da FMJ 2009.1: “Cultivando um Sonho e Vivendo uma Realidade”, Memorial Pe.Cícero em 26/06/2009).
